Mortalidade das Empresas: Como as empresas morrem

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Mortalidade das Empresas: Como as empresas morrem

Sistema de Gestão Financeira para MEI e Pequenas Empresas de Serviço

Hoje vamos falar de um tema bastante delicado, a mortalidade das empresas. É importante frisar logo de cara que este artigo é focado nas pequenas e médias empresas, já que são a maioria absoluta no país.

É inegável as altas taxas de mortalidades destas empresas entre o segundo e o quinto ano de vida. Depois de muitos “carnavais” de rodagem, você começa a perceber que o motivos são basicamente os mesmo, o que muda é o CNPJ!

Discutiremos então, eu e você empresário, quais são esses motivos e como não repetir esses mesmos erros.

Vou adotar a metodologia de dividir em “temas” que entendo serem a base da gestão empresarial.

Pretendo com isso deixar mais claro os motivos para que você possa identificar se algum deles está “presente” no seu negócio neste momento e saber como é possível corrigir a rota.

Segue o baile!


Por quê as empresas morrem?

Existem diversos motivos para as empresas morrerem. Veja abaixo os principais:


1- Perfil Empreendedor

Diversos estudos já mostraram que um dos principais motivos para entender como as empresas morrem, é conhecer o perfil do empreendedor. Segundo Michael Gerber que publicou o livro O Mito Empreendedor, podemos identificar três “perfis” ou personalidades em um empreendedor. São eles:

  • Perfil Técnico – Quase a totalidade dos empreendedores correspondem a este perfil quando do início das suas empresas. No geral, são aqueles bons ou ótimos “técnicos” que decidiram abrir um novo negócio. A principal característica deste perfil é o de achar que ninguém pode fazer melhor do que ele. É perigoso para os negócio pois além de viver só o presente, despreza o planejamento e um pouco de organização. O importante é fazer!
  • Perfil Administrador – Minoria entre os empreendedores novatos. Vive no passado, analisando os números e as informações disponíveis Adora planejar e só se sente seguro em tomar uma atitude, quando baseado em estudos. Sua falta de fé em agir sem planejar, pode engessar o negócio e fazer com que oportunidades de crescimento sejam perdidas.
  • Perfil Empreendedor – Caracteriza-se por ser um sonhador. Está sempre buscando ideias de negócios ou novos métodos de melhoria. Caracteriza-se por fazer e depois observar o resultado. Geralmente tudo gira em torno dele.

Para uma empresa não morrer e prosperar, é necessário que estes três perfis estejam contidos em sua estrutura.

Por isso, é importante que você entenda qual é o seu perfil e saiba ter na sua equipe, pessoas que te complementam nos demais.

É muito comum na contratação para postos chaves, escolher pessoas com perfis semelhantes ao nosso. Não é mesmo?

Esse é um erro frequente. Apostar na diversidade de perfis é uma atitude inteligente.

Por fim entenda que a empresa precisa de um time e não de uma estrela.


2- Estratégia

A estratégia é vital para o futuro do negócio. Sem ela, é como se você pegasse seu carro e começasse a dirigir a esmo pela cidade. Sem direção ou local de chegada.

E é exatamente isso que a estratégia lhe oferece, OBJETIVO.

Além da direção, podemos conseguir através da estratégia as ferramentas para atingir esse objetivo. São os processos e controles definidos conforme a necessidade e orientação.

Controlar, verificar e agir são a base da resolução de qualquer problema, sejam eles financeiros, administrativos, etc.

Muitas empresas simplesmente abrem as suas portas sem saber a sua direção, o seu objetivo. Vender computador não é objetivo; vender soluções em tecnologia sim.

Portanto, defina um objetivo para a sua empresa e monte uma estratégia para chegar lá. Isso com certeza irá melhorar a organização do seu negócio afastando a mortalidade e abrindo as portas para o crescimento.


3- Pessoas

Não se engane, nenhuma empresa irá prosperar, mesmo com toda o conhecimento disponível, se não for formada por pessoas eficientes e engajadas.

Saber atrair e manter talentos é uma arte. E como arte, nem todos temos esse dom.

Mas algumas coisas simples podem ser feitas para que você possa desenvolver seu “time” na direção do sucesso!

A primeira coisa é entender que ali, junto à você está um ser humano com necessidades e desejos como qualquer um de nós. Logo a primeira sacada é: trate seus colaboradores como seres humanos. Isso mesmo.

Muitos empresários acham que um colaborador é apenas um colaborador. Não! Não cometa este erro. Por trás, ou na verdade antes de todo funcionário, existe um ser humano.

Entenda que como todo ser humano, jamais serão perfeitos. Saiba se conectar e entender o mundo de cada um.

Dessa forma, você ganhará o respeito aumentando de maneira exponencial, a probabilidade de todos o seguirem na missão do seu negócio.

Não se esqueça também do treinamento. Sua equipe deve ser treinada constantemente em tudo aquilo que ela desenvolve e/ou naquilo que será uma novidade no seu mercado.

Uma equipe bem treinada é um ativo formidável.

Infelizmente muitos não entendem essa parte do processo. Contratam de forma equivocada, gerenciam mal a relação com os colaboradores e não promovem treinamentos contínuos. E isso meus caros, é a fórmula perfeita para o insucesso empresarial.


4- Produtos

O produto/serviço é o coração da empresa. Dizemos que no coração de uma grande marca (empresa) existe um grande produto.

O produto é o elemento-chave na oferta de mercado. Líderes de mercado geralmente oferecem produtos/serviços superiores.

O planejamento do lançamento de um produto começa na formulação de uma oferta para satisfazer as necessidades e os desejos dos clientes-alvo.

O cliente julgará a oferta de acordo com três fatores: características, qualidade e preço. Nos dias de hoje com a oferta enorme de produtos é imprescindível que seu negócio busque a diferenciação de oferta.

A diferenciação por produto poder ser percebida pelas seguintes características:

  • Forma
  • Características
  • Qualidade e desempenho
  • Qualidade e conformidade
  • Durabilidade
  • Confiabilidade
  • Facilidade de reparo
  • Estilo
  • Design

À medida que a concorrência se intensifica, o Design pode oferecer uma maneira consistente de se diferenciar e posicionar os seus produtos. Em mercados com ritmo cada vez mais acelerado, preço e tecnologia já não são suficientes.

O design é particularmente importante quando se ofertam equipamentos duráveis, roupas, serviços de varejo e produtos ao consumidor. Podemos dizer que se você não possui um produto/serviço que as pessoas necessitam, nada fará com que seu negócio fique de pé.

Não é necessário que seu produto/serviço seja algo inovador. Longe disso! As pessoas querem produtos/serviços simples para sobreviver. O importante é como esses produtos/serviços são apresentados.

Como 99% das empresas não desenvolve um produto/serviço disruptivo, ou seja, algo que muda completamente a relação de consumo, você terá de se destacar dessa massa que são os seus concorrentes.

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5- Processos

Embora a palavra processo muitas vezes seja associada a burocracia, uma certa dose de organização é necessário.

Não é possível uma empresa se achar organizada sem processos. Os processos descrevem como cada ação na empresa deve ser desenvolvida. Através dele, podemos ter uma maior assertividade na execução das tarefas do dia-a-dia.

Agora, nem tudo precisa ter um processo. Vejamos!

Os processos são importantes para as atividades da tesouraria por exemplo (contas a pagar e receber). Saber como fazer é uma segurança a mais para procedimentos rotineiros.

Além disso, quando da substituição de um colaborador, a continuidade se torna mais fluída haja visto que o processo de como fazer aquela atividade já está implantado.

Portanto, defina quais são as tarefas do seu negócio importantes para que um processo seja descrito. Comece devagar descrevendo aquilo que é realmente primordial.

Sugerimos descrever incialmente os processos relacionados aos departamentos financeiro e de pessoal. Teste e valide os processos com os seus gestores e funcionários.

Com o tempo, vá descrevendo outras áreas até que você tenha mapeado toda as suas atividades estratégicas.


6- Clientes

Além de ter acesso a uma gama de informações nunca vista antes, os clientes de hoje possuem ferramentas para verificar os argumentos das empresas e buscar melhores alternativas (produtos/serviços substitutos).

Mas como esse processo acontece na cabeça do cliente? Alguns estudos mostram que estes avaliam qual oferta lhe proporcionará mais valor.

Os clientes sempre procurarão maximizar o valor percebido, dentro dos custos envolvidos na procura e pelas limitações do orçamento. A probabilidade de satisfação e repetição de compra depende da oferta atender ou não essa expectativa de valor.

O Valor Percebido Pelo Cliente (VPC), segundo Kotler, é a diferença entre a avaliação que o cliente potencial faz de todos os benefícios e custos relativos a um produto ou serviço e as alternativas percebidas.

Já o Valor Total para o Cliente (VTC), ainda segundo Kotler, é o valor monetário de um conjunto de benefícios econômicos, funcionais e psicológicos que os clientes esperam de determinado produto ou serviço.

E o que isso quer dizer? Quer dizer que se você não gerar valor em seu produto ou serviço, e este estiver em um mercado concorrentes substitutos, você irá perder vendas e pior, clientes.

Ao perder clientes você deixa de faturar e ao deixar de faturar a sua empresa correrá o risco de morrer. Logo é importante gerar valor e se diferenciar dos demais concorrentes para manter o seu negócio vivo.


7- Finanças

Por último e não menos importante, vamos falar sobre as finanças. Ela foi deixada para o final porque não adianta ter um sistema financeiro “azeitado” se a empresa não desenvolver os itens acima.

Podemos definir finanças como sendo a arte e a ciência para administrar recursos. As finanças ocupam-se dos processos, instituições, mercados e instrumentos envolvidos na transferência de fundos entre pessoas, empresas e governos.E finanças empresariais?

É tudo isso só que relacionado aos processos das empresas!

O que quebra uma empresa não é a ausência de lucro, o que faz um empresa quebrar é a ausência de CAPITAL DE GIRO



Logo é importante estruturar um sistema financeiro para que a empresa saiba onde está e como chegará em determinado período. Dentre os principais tópicos da gestão financeira eu daria ênfase aos seguintes itens que podem impactar diretamente o seu negócio:

O Fluxo de Caixa é um dos primeiros relatórios que deve ser implantado. Com ele é possível controlar todas as entradas e saídas de recursos da empresa e saber quando será necessário intervir.

Infelizmente muitas empresas gerenciam apenas o hoje, no máximo a semana. É o famoso “contas a paguei”. A tesouraria simplesmente paga as contas do dia sem planejamento ou análise prévia. E isso quase sempre é mortal para a operação.



Concluindo

A esta altura, você já deve ter encaixado o seu negócio dentro de um ou mais tópicos. Acertei? Calma, isso não significa necessariamente que seu negócio vai morrer!

As empresas não morrem de um dia para o outro. A morte vem através de um processo de anos de uma gestão equivocada.

Portanto, o importante aqui é entender e aplicar aquilo que pode ser a diferença entre a vida e a morte, entre o crescimento e a estagnação e entre atingir seus objetivo ou navegar sem rumo.

Procure seguir as melhores práticas, desenvolver e implantar uma estratégia e a controlar de forma feroz o seu caixa. Siga nesse caminho e com certeza, seu negócio se perpetuará por muitos e muitos anos!

Décio Muniz

Décio Muniz

Empreendedor e Gestor Financeiro. Possui longa experiência em funções gerenciais dentro de diversas empresas. É especializado em Gestão e Finanças por duas das melhores escolas de negócio do país: Ibmec e FGV. Em 2017 fundou a Consultei seguindo o seu desejo de ajudar as pequenas empresas a se desenvolverem através da organização e controle da Gestão Financeira.
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